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rafahansen

Interpretando e desmistificando o mundo (e nossa psique)

Minha Experiência de 200 Dias (interruptos) de Meditação.


Esse é o meu relato de um pouco do meu aprendizado da minha experiência de ter meditado diariamente durante 200 dias.

Primeiramente, quero falar sobre o que me levou a fazer esse experimento. Antes desta experiência, acredito que já havia meditado aproximadamente 100 dias, mas sem continuidade – começava, fazia por 5 dias, parava, recomeçava uma semana depois e assim por diante. Ou seja, já conhecia a prática, seus benefícios e as dificuldades, e também já havia experienciado o quão difícil é criar e manter um novo hábito. 

No começo, achei que a dificuldade para implementar um novo hábito fosse uma característica minha, individual. Isso me trouxe uma curiosidade que me fez aprofundar no assunto, onde ficou mais que evidente que esta é uma dificuldade que todos possuem. No lado positivo, aprendi que, quem quer, tem capacidade de aprender os mecanismos de implementação de hábitos.

Essa experiência dos 200 dias me ajudou a me conectar um pouco mais com meu lado “espiritual” (ou pelo menos com o meu EU interior) e também me ensinou muito sobre criação de hábitos. 

O exemplo da meditação é perfeito pra ilustrar isso, já que eu já tinha tentado algumas vezes criar o hábito de meditar todos os dias, mas por um motivo ou outro me convencia de forma bastante racional, para não praticar um dia. “Hoje é domingo, não preciso meditar”, “Hoje tenho uma reunião cedo, à noite medito”, “Hoje estou muito agitado e com tarefas urgentes para realizar, posso me dar uma folga” e por aí em diante. Só para descobrir que inevitavelmente este dia off viravam dois, que viravam três e, quando percebia, já havia abandonado o hábito.

Pense na última vez que você tentou “criar o hábito” de passar fio dental, beber mais água, se exercitar com maior frequência, comer de forma saudável, dar uma pausa no ritmo acelerado do trabalho ou fazer qualquer tipo atividade com frequência e fracassou?

reflita

Em meio a este dilema do meu próprio processo, o Edson, meu mentor, me manda um texto (sem sequer termos falado a respeito do assunto – sincronia!), em que o autor fala que um hábito não nasce sendo um hábito, primeiro ele é apenas um comprometimento. Então eu não havia abandonado o hábito – eu ainda não tinha possibilitado que a atividade em questão virasse um.

Esse foi um momento de “eureka” na minha busca pelo desenvolvimento pessoal – que tem a criação de hábito (e os hábitos corretos) como um dos principais pilares. Precisava de alguma forma me aperfeiçoar nesse assunto, então essa realização foi sem dúvida um dos passos mais importante na minha trilha de desenvolvimento.

Admito que no momento que li o texto este raciocínio me fez pensar e concordar, mas foi só quando continuei vivendo e aperfeiçoando minha rotina, tentando implementar novos hábitos para otimizar meu dia e meu bem-estar/felicidade, que fui percebendo, cada vez mais, que aquele era um dos meus aprendizados mais importantes na trilha de estruturação do meu desenvolvimento pessoal.

Então esse é um perfeito exemplo de um conhecimento que nós compreendemos mas não completamente entendemos. O momento onde você finalmente consegue ver um aprendizado teórico (que você “entende”) na prática (quando você realmente entende).. Esse é o ápice da satisfação para uma pessoa que busca o aprendizado conceitual mas quer traduzir este em aplicações práticas, em passos, em conquistas, em produtos, em resultados.

Voltando:

Com este aprendizado, resolvi mudar meu comportamento e me comprometer a praticar uma atividade, até que ela realmente virasse um hábito. Escolhi a meditação.

Bom, tenho que dar mais uma volta antes de seguir; não é só importante você saber implementar um hábito (que vamos destrinchar ainda), antes disso é mais importante ainda você ter o autoconhecimento para perseguir hábitos que estejam alinhados com a pessoa que você é e a pessoa que você quer se tornar.

Não adianta nada você ter os melhores hábitos do mundo, mas não ter o autoconhecimento para saber onde quer chegar com eles… Pense na pessoa que busca apenas dinheiro, sacrificando sua saúde, felicidade e tempo com família achando que o dinheiro que vai trazer sua satisfação. Ela pode adotar um hábito para maximizar sua produtividade, com crença de que este vai fazê-lo ter sucesso mais rápido. Ela pode ser a melhor pessoa no mundo fazendo este hábito – só para descobrir no futuro que este não levou a um lugar produtivo em termos de vida e bem-estar.

Melhor ter o Fusca andando em linha reta até o destino, sem quebrar, do que a Ferrari que está se exaustando na direção errada e dando voltas.

Ou seja: desenhar a vida ideal, com espaço para desenvolvimento pessoal, é um trabalho conjunto entre autoconhecimento, questionamento dos objetivos, reflexão, aprendizado e a decorrente criação de hábitos que espelham estes (o core do que queremos ajudar as pessoas a fazerem com a Setta.co).

Dito isto, para reforçar as chances de cumprir o meu comprometimento comigo mesmo, deixei bem claro pra mim a importância deste hábito, tentando visualizar, diariamente, um futuro com os benefícios desta atividade em minha vida. E tendo certeza que ela estava alinhada com a pessoa que eu queria me tornar no futuro: uma pessoa com equanimidade (mistura de calma com resiliência e satisfação).

Comecei a praticar a atividade da meditação.

Sabia que, em alguns dias,  minha mente iria criar raciocínios sofisticados para me impedir de realizar esta atividade, já que nós, como seres humanos, temos dificuldade em nos comprometer com uma mudança de comportamento que exija tamanha dedicação – principalmente se for uma atividade que para alguns pode parecer assustadora – de ficar sozinho com si próprio – nas profundezas do intelecto. Então, com certeza, a mente tentaria racionalizar para não cumprir a tarefa. Precisava me defender disso; me comprometendo comigo mesmo.

E isso não poderia estar mais perto da verdade, os primeiros 60 dias foram uma constante briga entre minha força de vontade e a racionalização da mente. Digo 60 dias pois é o número de dias que, segundo a ciência, precisamos para realizar uma atividade até ela se tornar um hábito. Não sei se foram exatamente 60 dias no meu caso, mas hoje, depois de 200 dias, posso falar com convicção que é muito mais fácil cumprir essa atividade hoje do que era nos primeiros dias.

Hoje, minha mente sabe que ela “vai ter que fazer” e ela aceitou a “derrota” – ela vai fazer sem reclamar ou tentar argumentar – ela simplesmente irá fazer e “se livrar” da atividade. E, “simples assim” (sem dizer fácil), havia, com sucesso, implementado um novo hábito.

Ah… e sobre a meditação em si, hoje sou uma pessoa mais calma, menos impulsiva, respiro antes de me irritar e todos os dias começo com o pé direito: meditando.

E esse é um detalhe importante: tente incorporar novos hábitos pela manhã. 

Também leve o aprendizado de que o mais importante do hábito não é maximizar a velocidade atrás de um objetivo, e sim ir construindo um resultado, de passo em passo, com equanimidade, bem-estar e satisfação no hoje. E esta é provavelmente a única maneira de caminhar atrás de um objetivo externo ao mesmo tempo que se preenche as necessidades internas.

Outro detalhe: tenha consciência de que um hábito, muitas vezes, demora muito tempo até mostrar seus benefícios. Inicialmente você pode começar apenas com uma crença e um comprometimento – sem nenhum benefício (pelo contrário, apenas um aparente “malefício” pela “rejeição do corpo”). Por isso,  tenha convicção (ouso até falar “fé”), de que seu hábito funcionará e com o tempo necessário, você vai encontrar os benefícios esperados.

Mas lembre-se: primeiro crença, convicção e comprometimento. E tenha certeza que depois que a atividade virar um hábito, você terá os benefícios.

Por isso, a complexidade tão grande em criar hábitos novos.

Nós vamos resistir, nós vamos lutar contra nossas maiores desculpas, nós vamos usar nosso intelecto contra nós, mas, com força de vontade e comprometimento, nenhuma guerra é impossível de ser vencida.

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